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COLUNAS


Renata Saraiva


Diretora Geral da Ogilvy PR no Brasil. Foi Diretora de Atendimento da The Jeffrey Group no Brasil de 2003 a 2008. Fez parte da equipe fundadora do Valor Econômico, onde escreveu no caderno Eu & Cultura, de 2000 a 2003. Antes disso, foi responsável pela pauta do Caderno 2, de O Estado de S. Paulo, de 1996 a 2000. Formou-se em jornalismo pela Pontifícia Universidade São Paulo (PUC-SP) e em História pela Universidade de São Paulo (USP). Tem especialização em marketing pela Fundação Getúlio Vargas.

Sem ação não há comunicação

              Publicado em 05/11/2009

A pouco mais de 30 dias de Cop-15, em que lideranças de 192 países vão se reunir em Copenhagen para discutir os próximos capítulos sobre a questão das Mudanças Climáticas, uma pesquisa sobre a relação do consumidor com a sustentabilidade traz dados que nos fazem pensar sobre o papel do profissional de comunicação dentro das empresas. 

Realizada junto a 24 mil moradores de dez países, incluindo o Brasil, onde foram ouvidas 2.532 pessoas, a Sustainable Futures 2009, realizada por um grupo de publicidade, mostra que, para 64% dos brasileiros, as empresas só investem em sustentabilidade para melhorar sua imagem pública.

O dado se torna mais curioso quando confrontado com o fato de que na mesma pesquisa 86% das pessoas afirmam estar dispostas a recompensar companhias com boas práticas e 80% dizem que puniriam as que agem de forma irresponsável nas questões socioambientais.

Em outras palavras, o brasileiro quer ação, não só comunicação. E ação de verdade, pois está evidente a existência de um pêndulo que oscila entre a reprovação e aprovação total quando o assunto é sustentabilidade. O consumidor quer algo mais do que história para inglês ver.

Assim, só aumenta a responsabilidade dos profissionais da comunicação nessa seara. Cabe a nós ir além da montagem de agendas positivas, aquelas responsáveis pela interlocução com formadores de opinião e com o público em geral sobre iniciativas socioambientais – muitas delas isoladas ou pouco efetivas. Salvas, é claro, as exceções, com as quais não se pode fazer injustiça.

É mais ou menos como quando educamos nossos filhos a serem corretos e nunca mentirem. Queremos que não seja da boca para fora, que eles realmente cultivem a correção e a verdade e que esses valores estejam no DNA de suas existências.

Do mesmo modo, ir além das agendas positivas – afinal, quem precisa de uma agenda positiva a não ser pelo fato de também possuir uma negativa? – é ter uma atitude crítica e construtiva, mantendo o elevado nível de consultoria que podemos dar ao cultivarmos o distanciamento que nos permite separar o que é efetivo do que não é.

E não é necessário ir muito longe para começar a entender como fazer isso. É um pouco como pensar na simples frase do Relatório de Brundtland, de 1987, que define o  Desenvolvimento Sustentável como “aquele que atende as necessidades do presente sem comprometer as habilidades das futuras gerações de atenderem suas necessidades”.

Se conseguirmos mostrar a nossos pares e clientes que pensar sustentavelmente é fazer o que precisamos fazer hoje sem prejudicar as futuras gerações, automaticamente estaremos falando dos mesmos princípios que norteiam a criação de nossos filhos: educação, transparência, diálogo, exemplo e efetividade. 

E vão entrar aí, no universo das empresas, mais do que o desenvolvimento de produtos e práticas sustentáveis, mas sim sua grande capacidade de educar. Pois só consumirá o produto verde o consumidor que entender profundamente os alicerces da sustentabilidade, incluindo aí a reciclagem, as energias limpas, os produtos orgânicos e muitos outros conceitos.

Só dessa maneira, amarrando as pontas dessa cadeia, é que as empresas diminuirão o ceticismo dos consumidores sobre suas ações sustentáveis. E ninguém melhor que os profissionais de comunicação, com o apoio dos especialistas em meio ambiente, para levar ao cabo.


Os artigos aqui apresentados não necessariamente refletem a opinião da Aberje e seu conteúdo é de exclusiva responsabilidade do autor. 1861

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