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COLUNAS


Nádia Rebouças


Diretora da Nádia Rebouças Consultoria, empresa de consultoria de comunicação para transformação de organizações. Trabalha para empresas e ONGs, além de ser professora e palestrante.

Comunicação para dentro

              Publicado em 27/10/2009

Por alguns motivos escolhi esse título. Primeiro, porque aqui vamos tratar da comunicação interna das organizações, ou seja, o espaço de “dentro”. Segundo, porque não podemos falar de comunicação, quando não nos comunicamos conosco, atividade para a qual quase não sobra tempo nesse nosso mundo atual. E pensando melhor talvez tenha um terceiro: estar iniciando como colunista da ABERJE e a partir de agora, aqui dentro, construirmos uma relação de confiança e desenvolvimento. Não encontrarei sentido nessa atividade multiplicando textos, sem troca com o leitor.  Aqui temos um espaço para trocar, aprender e talvez mais importante ainda, desaprender, como nos propõe Tofler.

Fui colunista no Meio & Mensagem durante dois anos e o mais importante foi receber e.mails dos leitores, alguns se tornando regulares ao longo do tempo. Discutíamos conceitos, trocávamos cases, recomendávamos livros, artigos, e assim a atividade ganhou uma dimensão interessante para todos. Aqui imagino que podemos construir isso: uma troca. Uma conversa produtiva, que permita que avancemos nas difíceis tarefas da comunicação.

Aos leitores quero logo dizer que procuro estar sempre atenta, especialmente ao meu trabalho, tentando entender sempre os desafios complexos que estão à minha frente, todos os dias. Sou diretora de uma empresa de consultoria de comunicação, que atua há 10 anos no mercado e desenvolve metodologias, acreditando sempre na escuta, no diálogo, na capacidade de conversar.

Minha vida com a comunicação interna começa quando crio coragem para mudar. Deixei uma carreira promissora na publicidade porque percebi que gastava milhões com propaganda e os resultados não apareciam, porque esquecíamos que havia uma empresa que devia cuidar do desenvolvimento do produto, da logística, do marketing, das vendas, das pessoas. Eles não se entendiam. As dificuldades internas, os preconceitos entre profissionais e departamentos prejudicavam qualquer efeito positivo que a propaganda tentava criar. O produto não vendia e mesmo que o trabalho externo tivesse sido bem feito, as pessoas, os públicos de relacionamento, eram muito pouco levados em conta.

Tentei explicar para a agência de propaganda que comunicação era fundamental e sistêmica. É muito maior que a propaganda. Resultados só aparecem quando o planejamento integrado é construído. Diagnóstico da situação interna era fundamental, antes de qualquer outra ação de marketing e comunicação. Isso final da década de 80. Não consegui ser bem sucedida na minha busca pela mudança. Na época também não se falava em relacionamento com comunidades, com vizinhos, e eu já tinha o hábito de construir uma “bola” do que hoje chamamos stakeholders. Tinha claro que uma empresa rodeada de favelas, com muros altos e olhos e ouvidos vendados não poderia ter um futuro promissor.

Avançamos, mas hoje continuamos vivendo a fragmentação. Continuamos em alguma medida acreditando que a comunicação interna está separada da externa, da área de RSA, e da área de RH. Pior, continuamos a crer em profissionais de RP, assessoria, comunicação interna, comunicação externa, atuando de forma pouco integrada.

Continuamos a não conseguir enxergar as conexões. Cada área da empresa cria seu mapa e pensa que está vendo o território. Continuamos conversando muito mal. Continuamos presas fáceis de nossas vaidades e egos e quem sofre são os negócios e as pessoas. Perdemos o foco, quase sempre falando muito dele, e por isso temos resultados  fragmentados. Aos poucos vamos mudando. A comunicação interna, sempre colocada como uma atividade menor começa a ser entendida pela alta gerência como estratégica. Ganha voz os que apontam a importância da reputação da marca através da fantástica rede de conversa que a tecnologia nos permite hoje. Ganham visibilidade autores que pensam as relações nas organizações e com o mundo, como uma rede de conversas.

Somos desafiados a gerar atividades que tenham a capacidade de criar argamassa entre empregados das diferentes áreas. Já temos empresas que percebem o investimento em diversidade como mais que as leis que obrigam a cumprir metas para os “diferentes”. Somos todos diferentes, e perceber a diferença como riqueza, bem como a verdade como uma “sujeita” de múltiplas faces, parece nos apontar novos caminhos.  Que rica é a empresa que reúne o diferente e investe na competência da conversa. Sobre esses temas, autores, experiências de empresas que investem em construir um novo tempo é que essa coluna vai se dedicar. Sem você ela vai ficar muito sem graça. Jogar pingue-pongue com a parede? Vamos construir juntos. Vamos conversar.


Os artigos aqui apresentados não necessariamente refletem a opinião da Aberje e seu conteúdo é de exclusiva responsabilidade do autor. 914

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