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COLUNAS


Lala Aranha


Conselheira da gestão eleita do Conrerp Rio de Janeiro (2016-2018), foi presidente do Conrerp na gestão 2013-2015. É professora convidada do MBA de Comunicação Empresarial da Estácio Rio de Janeiro; conselheira do WWF Brasil; ouvidora do Clube de Comunicação do Rio de Janeiro; colunista mensal da Aberje.com. Lançou o livro Cartas a um Jovem Relações Públicas (Ed. Elsevier 2010); foi diretora da CDN Comunicação Corporativa; fundadora e diretora da agência CaliaAssumpção Publicidade e presidente da Ogilvy RP. É bacharel em Relações Públicas pela Famecos, PUC-RS; MBA IBMEC Rio de Janeiro, dentre outros cursos no Brasil e exterior. RG Conrerp 1ª. 2965.

"Pain Points": os temas sensíveis do Brasil se agravam

              Publicado em 07/04/2016

Recentemente, trocando ideias sobre os temas sensíveis de uma organização, Sandra Martinelli – amiga, RP e presidente executiva da ABA - atualizou-me para a nova terminologia que está sendo utilizada pelo marketing norte-americano: “pain points” - os pontos de dor de uma organização. Ou seja, as questões crônicas, aquelas que não têm uma solução imediata junto à sociedade e que são recorrentes.

Esses marqueteiros também têm uma leitura singular dos temas sensíveis. Acreditam que quando as empresas ou organizações aportam soluções para os “pain points”, estas podem se tornar oportunidades de negócios. Semelhante ao que diz a sabedoria oriental: uma crise pode ser uma ameaça, mas também uma oportunidade. Sabemos que muitos temas sensíveis dão origem a crises empresariais.  Alguns exemplos de “pain points” são: o cigarro x saúde - indústria do tabaco; alimentação x obesidade – fast foods; vazamento de óleo x flora e fauna – petroleiras; produtos x sabotagens internas – principalmente na indústria da alimentação, e os incontáveis temas sensíveis da Igreja: pedofilia, aborto, casamento gay, dentre outras questões pendentes.

Pesquisas de opinião têm apontado, nos últimos anos, como principais “pain points” do país a saúde, o desemprego, a violência, a educação. E pela primeira vez e de forma inédita, a corrupção aparece em primeiro lugar- isolada com 34% contra 18% na saúde, em pesquisa publicada pelo Instituto Datafolha em novembro de 2015. Como daí pra frente, a situação só se agravou com a profundidade das investigações da “Operação Lava Jato” e com as manifestações públicas da insatisfeita sociedade, presume-se que continua na mesma posição do ranking, só que com índices mais elevados.

Não é a toa que publicado em fevereiro de 2016, o “Corruption Perceptions Index 2015” coloca o Brasil no 76° lugar entre 167 países pesquisados. Em 2009, o Ibope Inteligência, começou a medir o Índice de Confiança Social das instituições brasileiras. Desde aquela data, os índices se repetem, mais ou mais assim: as primeiras quatro entidades mais confiáveis pontuadas do ranking de 2015 são o Corpo de Bombeiros (81% de confiança), a Igreja, as Forças Armadas, a Mídia. Nas últimas quatro temos o Governo Federal, Presidente da República, Congresso Nacional e Partidos Políticos – estes com apenas 17% da confiança dos entrevistados.

O que mais frustra, é ouvir comentários do tipo: “o Brasil sempre foi um país corrupto. Só que agora a corrupção tomou proporções nunca dantes atingidas: institucionalizada”. Esta simples constatação de que corrupção em menores proporções não cria problemas, é realmente inaceitável! E tem aqueles comentários que são mais críticos ainda: ”Onde todo mundo é corrupto, ninguém é corrupto”.  Este tipo de comportamento banalizado tem origem na dita impunidade e a tão apregoada falta de autoestima dos brasileiros. Mas tudo leva a crer que a impunidade está sendo tratada com mais seriedade...

Para os “pain-points” empresariais, nós, relações-públicas, recomendamos estratégias de comunicação e relacionamento em conjunto com a as áreas operacionais e corporativas. Estas ações vão desde redigir um White book sobre as questões - um verdadeiro dossiê que inclui ações de melhorias para o pain point - perguntas e respostas e posicionamentos, até o treinamento de porta-vozes quando se apresentarem em fóruns da sociedade.

Para a corrupção institucionalizada, este tratamento não é o suficiente. É necessário correr atrás de soluções legais – do Executivo, Legislativo e Judiciário – com o apoio da sociedade civil. Sabemos todos que quando é preciso retirar uma árvore deteriorada definitivamente do solo, precisamos arrancar a sua raiz, ou seja, “cortar-o-mal-pela-raiz”. Então, nós cidadãos brasileiros, com uso de nossa pressão cívica, já estamos tratando disso para fazer valer as Leis e criar novas mais coercitivas. Espero que as próximas eleições já sinalizem esta força que os cidadãos têm de exigir que estas ilegalidades cessem de uma vez.  


Os artigos aqui apresentados não necessariamente refletem a opinião da Aberje e seu conteúdo é de exclusiva responsabilidade do autor. 706

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