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Pollyana Ferrari


Pollyana Ferrari é escritora e pesquisadora em Comunicação Digital. Professora de hipermídia e narrativas transmídias nos cursos Comunicação e Multimeios, Jornalismo e na Pós-Graduação Strictu Sensu de Tecnologias da Inteligência e Design Digital (TIDD), todos ligados à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Autora dos livros “Jornalismo Digital”, ”Hipertexto, Hipermídia”, “A força da mídia social” e “No tempo das telas”. E instrutora da Aberje desde 2001. 

A era da participação pede bons curadores de conteúdo

              Publicado em 28/03/2016

As primeiras décadas do século XXI estão transformando o dia a dia do planeta. A mudança comportamental e o número avassalador de dados para interpretarmos é tão grande que podemos dizer que vivemos uma revolução comparada à revolução científica do século XVII. É preciso estar aberto para mudar o que precisa ser mudado e manter o que ainda funciona.

Conteúdo sem engajamento é apenas volume. Acredito, como o pesquisador de mídia Henry Jenkins, que a economia da mídia propagável cria aberturas para mudanças sociais, culturais, econômicas, legais e políticas. As marcas estão carentes de curadores de conteúdo, profissionais com bagagem cognitiva capaz de interpretar, reorganizar e gerar conhecimento a partir da interpretação de metadados. Em 2016 o tráfego de dados da internet deve chegar a 1 zettabyte. Isso significa algo em torno de 1 trilhão de gigabytes. Para entendermos o volume de dados, vamos lembrar que em 1 terabyte (1000 gigabytes) cabem cerca de 16 mil horas de músicas.

Curadoria de conteúdo é a melhor ferramenta para transformar dados em conhecimento, pois estamos falando de seres humanos treinados para editar conteúdo de forma ética, responsável e engajada. Afinal, a dicotomia real e virtual já perdeu o sentido e o engajamento de pessoas e de marcas hoje passa primeiro pelo digital e depois ganha outros suportes. Houve uma inversão na produção midiática.

As mídias sociais nos desestabilizam pois não focamos no tempo presente, achando que a dispersão é o estado natural da nossa existência mergulhada num tempo cada vez mais veloz. Se você está andando na rua, ande. Se você está no celular vendo sua timeline do Facebook, pare e curta os amigos. Focar no presente é libertador e te ajuda a entender a era da participação. O único jeito de dar conta desse tempo líquido é focar no presente.

Persona digital

O ser humano tem que andar junto com a persona digital. No mundo corporativo o ser, ou seja, a essência da marca vem antes da marca ter um milhão de seguidores. O ser tem a ver com a missão genuína, a razão da sua existência. O ser do século XXI deve trocar o eu pelo nós. Deve evitar o consumo desenfreado, reciclar quanto for possível antes de adquirir algo novo, seja um celular, sofá ou apenas xícaras. Nunca tantas culturas e empresas se voltaram no dia a dia para a busca de práticas milenares como a meditação, a yoga e a busca de quietude interior. O ser digital precisa ser consistente, ter opinião e estar antenado com o que ocorre a sua volta. Como tão bem criticava Umberto Eco, as redes sociais estão lotadas de egos vazios. É preciso fazer um contrapeso e postar realmente conteúdos que importam.

E como separar o joio do trigo em meio a gigabytes de dados? Goethe dizia que “as coisas que mais importam nunca devem ficar à mercê das coisas que importam menos”. Nesse mundo complexo é que entra a figura do curador de conteúdo. É preciso simplificar os canais e não dispersar nas redes sociais. Exige policiamento interno 24x7 para perceber que tanto pessoas como marcas precisam eliminar ruídos que nos desviam.

Foque realmente no que importa e isso vale para grupos no WhatsApp, eventos que a marca quer realizar, produtos midiáticos, amigos, roupas, relacionamentos. Não gaste energia com produtos ou pessoas que não vão somar. Se sua revista impressa agoniza, desapega e tente um outro canal. Se seus grupos no WhatsApp te estressam e não acrescentam nada, saia. Se você trabalha numa marca que, por exemplo, tem problemas com trabalho escravo, vitamine seu curriculum e busque outro emprego. Como dizia Paulo Leminski, estamos aqui só de passagem. Mas nossas ações e pegadas digitais ficarão. Nada se perde na rede. 



Os artigos aqui apresentados não necessariamente refletem a opinião da Aberje e seu conteúdo é de exclusiva responsabilidade do autor. 1175

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