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Marco Antônio Eid


Jornalista, escritor e executivo da área de comunicação, é Diretor de Conteúdo da RV&A (Ricardo Viveiros & Associados - Oficina de Comunicação).

Reputação insustentável

              Publicado em 01/03/2016

A boa imagem de prefeitos, governadores, chefes de Estado, presidentes dos órgãos do Legislativo e dos organismos da Justiça e Ministério Público pode ser consistente quando resultante de gestões eficazes, realizadoras, probas e éticas. Se isso ocorre, a comunicação tem recursos e técnicas para trabalhar de modo eficaz a reputação de autoridades e dirigentes do setor estatal. É lícito e justo que cumpra essa missão.

Contudo, a comunicação, principalmente com os recursos múltiplos do mundo contemporâneo, abrangendo as novas mídias eletrônicas, tem técnicas e capacidade para construir imagens positivas, mesmo na ausência de um case adequado de gestão quanto à competência e probidade das autoridades e ocupantes de cargos públicos.

No entanto, não se trata de algo sustentável. Mais do que nunca, vale aqui aquele velho ditado: é possível enganar muitas pessoas por algum tempo, mas é impossível enganar todos o tempo todo. Mais cedo ou mais tarde, as verdades aparecem e o caráter das pessoas é desmascarado.

Numa civilização na qual a internet é mídia livre e indomável, a queda da máscara dos maus gestores ocorre cada vez mais cedo. Propinas, superfaturamento de obras, concorrências fraudulentas, realizações e obras fantasiosas, currículos mentirosos e retórica sem consistência são irremediavelmente escancarados à opinião pública!

Na comunicação contemporânea, a impossibilidade de desrespeitar a inteligência das pessoas transcende ao princípio ético, que, aliás, já deveria ser mais do que suficiente para pautar condutas marcadas pelo compliance. Manifesta-se, também, nas barreiras impostas pela tecnologia. O que, antes, poderia parecer habilidade retórica e política converte-se em desgastado oportunismo; o que, antes, parecia inteligência na abordagem das pessoas reveste-se de patética fanfarronice.

Temos assistido no Brasil a episódios que demonstram na prática, com muita clareza, o que estamos falando aqui. Quanto se gastou na comunicação e no marketing de numerosas campanhas eleitorais em 2014 para se construir imagens e angariar votos? Todo o investimento corre agora pelos dutos do descrédito.

Os comunicadores de distintas instâncias governamentais, incluindo a União, estão sem conteúdos consistentes para trabalhar. Suas estratégias são quase todas focadas na gestão de crises e na divulgação de uma pífia agenda positiva. Por isso, não conseguem sustentar os bons índices de popularidade e a imagem positiva que alguns políticos tinham há pouco mais de um ano.

Por melhor que sejam os profissionais de comunicação, por mais recursos que se invistam, não é possível sustentar a reputação de governos e gestores sobre os quais pesem os ônus da improbidade e da incompetência. E é ótimo que seja assim.

 


Os artigos aqui apresentados não necessariamente refletem a opinião da Aberje e seu conteúdo é de exclusiva responsabilidade do autor. 701

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