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COLUNAS


Tatiane Ribeiro Lima
tatirlima@gmail.com

Tatiane Ribeiro Lima é jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero e tem MBA em Gestão da Comunicação pela Aberje ESEG. Observadora inquieta, é apaixonada pelos bastidores e por ajudar empresas e pessoas a contar a sua história. Escreveu para publicações como a Superinteressante e Revista da TAM e já trabalhou para companhias de pequeno, médio e grande porte em projetos que envolviam de IPOs e campanhas de guerrilha a  Defesa do Consumidor e Crises de Reputação e Imagem.  

Estamos fazendo as perguntas certas?

              Publicado em 18/02/2016

Tenho uma amiga que diz que a sua curiosidade pelo mundo foi plantada pelo seu pai. Ele a educou para fazer perguntas e, assim, não depender de ninguém para ter respostas. Lembrei-me dessa história depois de assistir o TED da Sheryl Sandberg sobre liderança feminina.

A reflexão que a COO do Facebook propõe nesse talk vai além das estatísticas e do jogo de culpa. “Quais são as mensagens que nós temos que nos dizer? Quais são as mensagens que nós passamos para as mulheres que trabalham com e para nós? Quais são as mensagens que contamos às nossas filhas?”

O ponto de Sheryl é que os estudos mostram que os números não estão se mexendo e que os programas corporativos e campanhas como He For She, da ONU, já não são suficientes. Há uma tarefa que precisa ser assumida por toda e qualquer mulher: deixar de subestimar sistematicamente suas habilidades.

E aqui está o chamado para os comunicadores: vejam o importante papel que temos na promoção dessa mudança na imprensa, no ambiente de trabalho, em casa.

O Think Olga criou um banco de dados para jornalistas somente com fontes mulheres. É bárbara essa iniciativa, mas, de novo, pode não ser suficiente se não prestarmos atenção nas perguntas. A vida pessoal e os hábitos de compra das líderes femininas, por exemplo, são bem menos importantes que o desenvolvimento profissional delas, a visão de negócio e as oportunidades que elas enxergam para vencer os desafios que o mercado globalizado impõe. Parece absurdo, mas essas são as perguntas mais feitas.

No Oscar do ano passado, atrizes como Cate Blanchett, Reese Witherspoon, Julianne Moore e Mia Farrow lideraram a campanha #AskHerMore (#PergunteMaisaEla, em tradução livre), na qual pressionaram a imprensa de celebridades a fazer perguntas mais interessantes e não somente aquelas relacionadas ao vestido, à maquiagem e às joias. A iniciativa voltou no Globo de Ouro deste ano e deve ganhar fôlego em 28 de fevereiro, quando a premiação mais importante do cinema vai ao ar.

Pense na reflexão positiva que as novelas poderiam gerar nos lares, colocando homens e mulheres, avós e netos, a debater o tema e rever suas próprias atitudes. O CEO do Facebook deu um puxão de orelha em uma vovozinha que disse estimular as netinhas a gostar dos nerds, porque eles podem se tornar um Zuckerberg um dia. Mark, que se tornou pai de uma menina, respondeu que “melhor ainda seria incentivá-las a serem as nerds da escolas e um dia se tornarem as próximas inventoras”. Essa é proposta de Sheryl. Esse é o nosso desafio, comunicadores.

A mudança depende de abandonarmos os estereótipos, de mudarmos os scripts das entrevistas, de lançarmos mão de novos roteiros, de criarmos novas e reais protagonistas. Para a ficção e para a vida real.

Ao estimulá-la a fazer perguntas, o pai da minha amiga a ajudou a desenvolver competências e, principalmente, asas e coragem para voar longe. Como qualquer homem pode fazer. E qualquer mulher também. Para os curiosos, sim, minha amiga é hoje uma líder em uma companhia que atua em um setor majoritariamente masculino.


Os artigos aqui apresentados não necessariamente refletem a opinião da Aberje e seu conteúdo é de exclusiva responsabilidade do autor. 1386

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