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COLUNAS


Andréa Gozetto


Cientista Política especializada em defesa de interesses, Andréa é doutora em Ciências Sociais pela Unicamp (2004) e mestre em Sociologia Política pela UNESP-Araraquara (1998). Cursa o pós-doutorado em Administração Pública e Governo pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). É coordenadora acadêmica do MBA em Economia e Gestão – Relações Governamentais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) MGM, professora pesquisadora da Universidade Nove de Julho e professora do MBA em Gestão Pública do Centro Universitário SENAC. É consultora da Gerência de Desenvolvimento Associativo (GDA) da CNI. Publicou diversos artigos sobre defesa de interesses no Brasil, como: Interest groups in Brazil: a new era and its challenges (2014), Lobby e Políticas Públicas no Brasil (2013), Lobby e Reforma Política (2012), Lobby: instrumento democrático de representação de interesses? (2011) e Estratégias de ação dos grupos de interesse empresariais e de trabalhadores no Legislativo federal brasileiro (2011).

Nicho de mercado inexplorado

              Publicado em 15/02/2016

A estruturação e implementação de Departamentos de Relações Governamentais tem sido a saída encontrada por diversas organizações para assegurar maior participação no processo decisório estatal.

A atividade de relações governamentais diz respeito ao estabelecimento de um diálogo contínuo com o poder público, pautado em organização e planejamento, com vistas a defender interesses e influenciar as decisões governamentais que possam afetar as organizações de alguma forma.

A implantação de um Departamento de Relações Governamentais permite a concretização de sólidos e duradouros vínculos com os principais atores que formulam as políticas públicas, elaboram leis e regulam os mercados. Trata-se da institucionalização do diálogo com o poder público, pautado em processos e metodologias adequadas a fim de assegurar a defesa dos interesses da organização.

O trabalho de um Departamento de Relações Governamentais profissionaliza e torna mais técnica a representação de interesses de uma organização, porque é realizado de forma impessoal, transparente e pautado em sólidos princípios éticos. Devido ao grau de abrangência do impacto das decisões governamentais no ambiente de negócios e a complexidade cada vez maior do processo decisório, é necessário ir além dos contatos pessoais. Eles continuam sendo importantes, porém não são mais suficientes para garantir o sucesso de uma ação de defesa de interesses.

As grandes e médias empresas e as entidades de classe que atuam em nível nacional já atentaram para esse fato. No entanto, uma parcela importante das entidades de classe, principalmente as que atuam em nível local e regional, tem passado ao largo desse processo.

Recentemente tive a oportunidade de participar de um encontro regional de uma entidade de classe do sistema não corporativo de representação de interesses que atua em nível estadual. Nesse encontro, os dirigentes discutiam quais deveriam ser as estratégias de ação adequadas para mitigar um severo risco regulatório para seu setor gerado pelo legislativo estadual.

Como não contam com suporte profissional, não foram capazes de antecipá-lo. O projeto de lei foi iniciado, tramitou, foi aprovado, vetado pelo governador e o veto foi derrubado pelos deputados estaduais. Apesar de o risco ter advindo do Poder Legislativo, a estratégia de ação dessa entidade de classe esteve focada exclusivamente no Poder Judiciário. Os associados só foram informados e chamados a agir quando já era tarde demais.

Infelizmente, esse não é um caso isolado. Muitas entidades de classe ainda realizam ações de defesa de interesses intuitivamente. Elas precisam ser esclarecidas sobre os benefícios que a participação ativa no bojo do processo decisório estatal permite.

Para além do aprofundamento da democracia, se pensarmos de forma pragmática, o trabalho de inteligência política realizado pelos Departamentos de Relações Governamentais apresenta potencialidade para ser transformado em produtos destinados aos associados, o que aumentaria o rol de benefícios oferecidos pelas entidades.

Os resultados desse trabalho poderiam gerar, por exemplo, a produção de um Boletim Informativo mensal informando aos associados o passo a passo do árduo trabalho que a entidade tem realizado em prol da defesa de interesses do setor. Há vários benefícios envolvidos nessa ação.  Em primeiro lugar, ela enaltece as ações da entidade e reforça sua imagem e reputação junto aos associados. Em segundo lugar, incentiva a defesa pública e aberta dos pontos de vista do setor, o que pode enriquecer o debate público e fortalecer a consciência política dos atores sociais. Em terceiro lugar, essa é uma importante ferramenta para manter os associados constantemente mobilizados em torno dos temas relevantes para o setor. Em decorrência dessa mobilização constante, os associados se aproximariam da entidade e seria fomentado o surgimento de novas lideranças.

Parece-me que esse é um excelente nicho de mercado para as consultorias especializadas em Relações Governamentais. Afinal, elas poderiam estar assessorando essas entidades a estruturarem seus próprios Departamentos de Relações Governamentais!

Mãos à obra, pois há muito trabalho a ser feito para disseminar a profissionalização da representação de interesses no Brasil.

 


Os artigos aqui apresentados não necessariamente refletem a opinião da Aberje e seu conteúdo é de exclusiva responsabilidade do autor. 798

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